quinta-feira, 12 de junho de 2008

A SÍNDROME DA LOJA DE DOCES

"A síndrome da loja de doces acaba com a sua felicidade"
Frase de Young Bravescotch

No momento em que escrevo, estamos na semana "dos namorados", no Brasil. Então, acho interessante responder algumas dúvidas que sempre me chegam, sobre o tema do relacionamento entre duas pessoas.

A resposta surgiu durante um evento especial com Rosana Braga (www.rosanabraga.com.br).


Por que temos tamanha dificuldade em manter o compromisso de amor com uma única pessoa por longos períodos?

Escutei a pergunta e as várias tentativas de respostas naquele evento. Algumas interessantes. Outras, completamente absurdas.

A mesa estava completa. Apenas dois homens (eu e um ator muito conhecido) e dez ou onze mulheres. Em um lado da mesa, estava a autora e palestrante Rosana Braga, que atuava como facilitadora, para que aquele grupo chegasse sozinho as próprias conclusões.


Era um encontro no qual Rosana coloca um tema para discussão e vai acompanhando o grupo para que não se percam. Mas ela não interfere, nas conclusões do grupo.

Eu fui convidado por apresentar um workshop, com ela, e poderia captar algo interessante durante o encontro. E foi o que aconteceu.

Durante certo tempo, escutei constrangido opiniões sem nenhum sentido, cheias das obviedades que escutamos todos os dias - do tipo "homem é tudo igual", "o amor é uma ilusão", "eu sou livre e quero permanecer livre", a pessoa que me quiser terá que me aceitar exatamente como eu sou"... e um amontoado de curiosos lugares-comuns.

Eu já estava começando a achar que não havia muito que aprender ali até que uma moça disse de maneira bastante clara: "o problema do amor é a síndrome da loja de doces".
Minha atenção foi chamada imediatamente. E a atenção do grupo todo.

Síndrome da loja de doces? "O que é isso", perguntei?
E durante quase 30 minutos o grupo se envolveu em um acalorado e interessante debate, até que algumas coisas ficaram muito claras:

1. Por que namoros, casamentos e vidas de um casal têm duração estatisticamente muito mais longa no interior (de qualquer país) do que nas capitais?


2. Por que algumas pessoas têm tamanha dificuldade em manter relacionamentos consistentemente longos?


3. Por que parece haver sempre alguém "mais perfeito" para nós? - especialmente alguém diferente da pessoa com a qual estamos?


Estas e inúmeras outras questões podem ser respondidas simplesmente analisando a "síndrome da loja de doces".

Veja que interessante:
Quando entramos em uma loja de doces, imediatamente nossa atenção é chamada para... o primeiro doce que aparece. Então damos uma bela olhada na vitrine e um dos doces chama nossa atenção. Depois de alguns segundos, outro doce, de aparência igualmente deliciosa, também chama nossa atenção. Mesmo quando estamos já na metade do primeiro doce, os olhos continuam a olhar as vitrines. E a dúvida surge. Não seria melhor ter escolhido aquele outro? Parece mais gostoso. Parece melhor para minha saúde. Parece... perfeito para mim agora. Neste momento, alguns de nós simplesmente pensam: "se eu entrar aqui outra vez, escolherei aquele doce para experimentar". Outros testam o segundo doce, mesmo antes de terminar o primeiro. Há, ainda, os que -- enquanto estão no segundo doce - já começam a olhar para o terceiro...

Já deu para entender, não é?
A única coisa pior do que não ter opções é ter opções demais. Isso explica a síndrome de excesso de peso nas populações de regiões economicamente melhores, assim como explica o excesso de divórcios, separações e lágrimas nas regiões supostamente mais “modernas”.

Sempre há um doce melhor na loja. Testar todos os doces é o melhor modo de não ficar com nenhum muito tempo.
Por isso, você precisa entender que nunca vai encontrar alguém que seja superior em tudo. Todos nós somos superiores em determinadas áreas da vida, mas sempre haverá alguém melhor que nós, em algum lugar. Sempre. Um homem ou mulher mais saudável, com mais riquezas, mais beleza, mais sensibilidade e mais qualquer coisa que você pense.

Não importa o que esteja em sua cabeça agora, sempre haverá alguém que tenha pelo menos uma dessas características em maior grau.


Mas há um problema. Raramente uma característica mantém o relacionamento e o compromisso por muito tempo. São necessárias diversas características complementares e o compromisso de ficar com essas características mesmo quando surge alguém que seja superior em uma, ou algumas, delas.
Porque se você cair no golpe que a publicidade adora dar nas pessoas, vai achar que o importante é testar os doces, para escolher o melhor. Enquanto isso, o melhor vai azedar e você acabara perdendo-o.

A vida não é uma loja de doces. E, se for, lembre-se de que quem tudo quer, tudo perde.

Escolha o doce e pare de comparar o tempo todo com outros. A comparação deve acontecer antes da escolha, com muito cuidado. Quem compara, depois, sempre sente que está perdendo algo. Quem sente isso, se comporta para deixar de perder e, ironicamente, acaba perdendo algo ainda melhor.


Feliz dia dos namorados. E bom doce, para você.


Aldo Novak

autor do livro O Segredo Para Realizar Seus Sonhos, da editora Ediouro (http://www.OSegredoParaSeusSonhos.com.br/ )

quinta-feira, 5 de junho de 2008

ELOGIO AOS IDIOTAS

A idiotice tem várias facetas. Há espertalhões, por exemplo, que para não serem considerados burros aplaudem o que não entendem e há pessoas geniais – como Eistein – que passam por idiotas. A verdade é que os idiotas, como os sábios, tentam sempre, sem medo de errar.

Na vida acelerada do mundo de hoje, todos querem ser espertos, vivos e astuciosos. Ninguém quer ficar para trás – quando você está indo, os outros já estão voltando. Ninguém mais diz frases com segundas intenções: dizem coisas com terceiras, quartas e quintas intenções. Frases que, com sorte, um leigo demora de dez a 30 minutos para decifrar, e até dois dias para imaginar uma resposta à altura.

Em compensação, alguém que diz diretamente aquilo que pensa acaba provocando escândalo e mal-estar. É imediatamente catalogado como perigoso e tratado como idiota. A sinceridade parece contrariar as normas da convivência e da boa educação modernas. Assim, as pessoas bem-educadas são amáveis, mas nem sempre se deve acreditar no que dizem.

A idiotice é um tema vasto, com muitos aspectos diferentes, que sempre esteve presente na minha vida e está inscrita com destaque na cultura brasileira. Um exemplo disso são as tradi-cionais piadas de português. Elas são uma projeção da brasilidade. No fundo, os portugueses idiotas das piadas somos nós. Os episódios que envolvem Manuel, Joaquim e Maria são todos uma parte da alma do nosso país – tanto é assim que só são conhe-cidos no Brasil. Em Portugal, ao contrário, circulam piadas de brasileiros.

É certo que, quando examinamos a questão da inteligência e da idiotice, surgem algumas perguntas indiscretas: o que é, afinal, inteligência? O que é burrice? Quantos tipos há de idiotas?

Inteligência é a capacidade de perceber o real. E, como há realidades muito diferentes no mundo, não existe um tipo único de inteligência. Cada situação da vida requer um tipo específico de percepção, e por isso as inteligências são múltiplas. Por sua vez, a idiotice e a burrice podem ser definidas como a incapacidade de perceber o real. E são tão variadas quanto as inteligências. Há, portanto, muitos tipos de idiotas. Alguns deles, inclusive, são espertalhões. Sim, há idiotas que passam por inteligentes, e também há pessoas inteligentes que passam por idiotas.

Além disso, quem é inteligente em uma área da vida pode ser burro em outras. Você é esperto em política e burro na hora de jogar futebol. Sua namorada pode ser menos intelectual que você, na hora de discutir filosofia, mas há aspectos da vida em que ela coloca você no chinelo. Há coisas que seus filhos pequenos fazem bem melhor que você, como, talvez, compreender as sutilezas de um videogame ou computador. Felizmente, ter sabedoria não é saber tudo. Ter sabedoria é saber o mais importante – e administrar bem os seus talentos.

Dos muitos tipos de idiotas, um dos mais interessantes foi examinado por François Rabelais, o escritor francês do século 16. Ele abordou a burrice específica dos "doutores" que usam palavras complicadas para não dizer coisa alguma. Um deles – conta Rabelais – fez certo dia uma longa pesquisa para saber "se uma entidade imaginária, zumbindo no vácuo, é capaz de devorar segundas intenções". Outro queria saber "se uma idéia platônica, dirigindo-se para a direita sob o orifício do caos, poderia afastar os átomos de Demócrito". Um terceiro investigava "se a frigidez hibernal dos antípodas, passando numa linha ortogonal através da homogênea solidez do centro, podia, por uma delicada antiperístase, aquecer a convexidade dos nossos calcanhares". Rabelais qualifica tais idiotas eruditos como professores cegos de discípulos cegos, "que tateiam em um quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá".(1) Tais indivíduos eram precursores de Rolando Lero, o grande erudito da televisão brasileira.

Conheço seres humanos que têm tanto medo de parecer burros que aplaudem – ou pelo menos fingem que compreendem – esse tipo de raciocínio longo, encaracolado, sem significado algum. Mas tal constrangimento é desnecessário: deixando de lado o medo de parecer idiotas, perderemos menos tempo fingindo e seremos mais felizes.

O caso de um dos maiores gênios da ciência, Albert Einstein, é ilustrativo. No início da vida, ele recusou-se a falar antes dos 3 anos de idade. Seus pais, pessoas sensatas, pensavam que fosse retardado mental. Mais tarde, quando Einstein ingressou na escola, ele foi novamente considerado imbecil. Seu biógrafo é obrigado a admitir:

"Para os colegas de classe, Albert era uma anomalia que não demonstrava interesse nenhum pelos esportes. Para os professores, era um idiota que não conseguia decorar nada e se comportava de modo estranho. Em vez de responder imediatamente a uma pergunta, como os outros alunos, sempre hesitava. E, quando respondia, movia os lábios em silêncio, repetindo as palavras." (2)

Décadas mais tarde, Einstein deu o troco. Ele qualificou o nosso moderno sistema educacional como uma estrutura que reprime a inteligência e busca fabricar idiotas obedientes:

"A humilhação e a opressão mental imposta por professores ignorantes e pretensiosos causam danos terríveis na mente jovem; danos que não podem ser reparados e que geralmente exercem influências maléficas na vida futura." E ainda: "A maioria dos professores perde tempo fazendo perguntas para descobrir o que o aluno não sabe, quando a verdadeira arte consiste em descobrir o que o aluno sabe ou é capaz de saber." (3) Por isso Mark Twain escreveu: "Nunca permiti que a escola atrapalhasse meus estudos." E George Bernard Shaw admitiu: "Em determinado momento, interrompi meus estudos para ingressar na universidade." É verdade que, desde então, o sistema educacional já melhorou um pouco. Mas deve melhorar mais.

Einstein não estava só ao ser considerado idiota. Quando jovem, o pensador indiano Jiddu Krishnamurti também despertou fortes suspeitas de que era um débil mental. Durante 50 anos, no século 20, ele deu palestras no mundo todo, e teve dezenas de livros importantes publicados em várias línguas. Mas nos seus primeiros anos de estudante, na Índia, Krishnamurti era incapaz de acompanhar os estudos. Não memorizava nada, detestava os livros e ficava horas observando a evolução das nuvens no céu, ou acompanhando a vida de plantas ou insetos.

De fato, o santo e o idiota têm muito em comum, não só entre si, mas também com as árvores e os animais. Todos eles vivem em um estado de comunhão que é independente do pensamento lógico. Isso contraria a inteligência situada no hemisfério cerebral esquerdo, que rotula e classifica todas as coisas. Essa inteligência gosta de colocar-se como se tivesse o monopólio da consciência. Esse, aliás, é um dos grandes obstáculos para a prática da meditação: a mente pensante não aceita passar o poder à mente que contempla e compreende a verdade sem necessidade de pensamentos.

ALÉM DAS APARÊNCIAS
A primeira frase dos famosos Ioga Sutras de Patañjali, o tratado milenar sobre raja ioga, afirma: "Ioga é a cessação das modificações da mente." Para alcançar a hiperconsciência, o estado mental do êxtase divino, é necessário paralisar por um momento a mente infe-rior. O sábio é um ser que renunciou à inteligência convencional e optou por uma percepção que a mente comum não consegue captar. Por isso, mesmo na sociedade brasileira do século 21, se aquele que ingressa no caminho espiritual não tiver certos cuidados, pode ser considerado louco, ou idiota, pelos seus parentes e amigos. Mas, do ponto de vista do sábio, a situação se inverte e idiota é aquele que fica preso à lógica do mundo externo.

A ciência parece reforçar o ponto de vista do sábio ao afirmar que, realmente, usamos uma parcela muito pequena do potencial disponível em nosso cérebro. Esse é um dado da natureza, e não adianta discutir com a realidade. O problema não é, pois, que sejamos um tanto limitados mentalmente. O lamentável é que, sendo limitados, nos consideramos extremamente espertos. O filósofo Sócrates, escolhido como o homem mais sábio da Grécia, explicou: "Eu e os homens notáveis de Atenas nada sabemos, e a única diferença entre eu e eles é que eu, nada sabendo, sei que nada sei, enquanto eles, nada sabendo, pensam que sabem muito."

Há um fato que nem sequer os livros de inteligência emocional confessam abertamente: quando se desperta a inteligência espiritual, perde-se, irremediavelmente, a inteligência astuciosa que permite coisas como mentir com habilidade, usar a lisonja na medida certa e falar a verdade só quando ela traz vantagens.

Daí vem a sensação de nada saber diante do mundo. A expansão mística da consciência traz consigo uma inocência idiota em relação à realidade externa, e é por isso que os sábios renunciam à agitação, preferindo uma vida retirada. Para alcançar a consciência celestial, é necessário abandonar e perder a inteligência egoísta e assumir, em certos assuntos, a aparência de um abobado.

O escritor sufi Idries Shah – um pensador místico do islamismo – escreveu um livro intitulado A Sabedoria dos Idiotas. Na abertura da obra, explicou:

"Aquilo que os homens de pensamento estreito imaginam que seja sabedoria é freqüentemente considerado loucura pelos sábios sufis. Assim os sufis, por sua vez, chamam a si mesmos de 'idiotas'. Por uma feliz coincidência, a palavra árabe que significa 'santo' (wali) tem a mesma equivalência numérica que a palavra que significa 'idiota' (balid). Assim, temos dois motivos para ver os grandes sufis como os nossos idiotas." (4)

Todo aprendiz da arte de viver deve libertar-se das chantagens emocionais do que é "politicamente correto" e deixar de lado os mecanismos da idiotice coletiva organizada, que forçam a formação de consensos falsos com base em esquemas de poder.

Mas para fugir da idiotice coletiva organizada – com sua psicologia de rebanho que proíbe o indivíduo de pensar por si mesmo – é indispensável vencer o medo de que nos seja colocado o rótulo de ovelha negra, ou de idiota. Só assim poderemos viver com responsabilidade própria e independência pessoal, duas características de uma vida valiosa. Há uma história de Ramakrishna, o sábio indiano do século 19, que ilustra bem esse ponto:

"Era uma noite completamente escura, séculos atrás. De repente, um sujeito acende uma tocha para iluminar seu caminho e vai até a casa do vizinho. Ele quer pedir fogo, porque a noite está demasiado escura. Depois de muito gritar e bater na porta, o vizinho finalmente abre a porta, ouve seu pedido e responde: 'Ah, ah, você é muito imbecil! Raciocine! Você tem uma tocha acesa na sua mão!' "

A moral da história é que todos nós corremos o risco de fazer como o pobre coitado que bateu na porta do vizinho. A verdade eterna e a fonte da felicidade estão em nossas próprias mãos. Só dependem de nós. Mas às vezes insistimos em procurá-las nas coisas externas e pedi-las a outras pessoas, renunciando à autonomia da nossa caminhada.

Os sábios, como os idiotas, são íntegros. Eles não fingem que são inteligentes e não têm medo de errar. Tentam, erram e quebram a cara. Mas, quando acertam, são geniais. O idiota de hoje pode ser o sábio de amanhã, graças à experiência adquirida. Em compensação, aquele que não possui ânimo para tentar não tem chance alguma de aprender.

Por isso devemos criar uma cultura em que é permitido a cada um cair e levantar livremente. Porque somos todos apenas aprendizes. Erramos e aprendemos o tempo todo, e devemos estimular em cada ser humano a coragem de buscar – mesmo tropeçando – os seus sonhos mais elevados. Banindo da nossa cultura o medo do ridículo, cada um se permitirá um pouco mais de deselegância – e de autenticidade – em sua maneira de viver.
Por Carlos Cardoso Aveline
Fonte: http://www.terra.com.br/planetanaweb/


Notas
(1) Vidas de Grandes Romancistas, por Henry Thomas e Dana Lee Thomas, Editora Globo, RJ-POA-SP, 1954. Ver p. 32.
(2) Einstein, a Ciência da Vida, uma biografia escrita por Denis Brian, Editora Ática, SP, 1998. Ver pp. 1, 3 e 4. (3) Assim Falou Einstein, coletânea editada por Alice Calaprice, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1998. Ver pp. 64 (primeira frase da citação) e 63 (segunda frase).(4) Wisdom of the Idiots, Idries Shah, The Octagon Press, Londres, 1991. Ver p. 5.

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sábado, 31 de maio de 2008

O que é ser bondoso para si mesmo?

“Seja gentil. Seja bondoso para com o próximo”.Você já deve ter lido muito isso ou ouvido falar essas palavras. Porém, o ensinamento do yoga diz: Seja bondoso para consigo mesmo em primeiro lugar.
Muitas pessoas dizem que sabem praticar o bem ao próximo, mas não sabem como ser bondosas para com elas mesmas.
É realmente importante ser bondoso para com os outros, mas, geralmente, as pessoas se esquecem de que também é muito importante serem bondosas para com elas mesmas.

Vamos contemplar:

O que é ser bondoso para si mesmo?
Ser bondoso consigo mesmo é se respeitar, ter consideração consigo mesmo. É cultivar emoções positivas, ter uma mente tranqüila, gentil, silenciosa, com autodomínio.
Para a medicina chinesa, as emoções interferem no funcionamento do organismo. Cada emoção rege um órgão e este nutre uma estrutura. A tristeza, por exemplo, está associada ao pulmão que tem ligação com a pele. Assim, quem se sente triste perde o frescor da pele, pode adoecer de pneumonia, rinite, alergia e herpes.
Quando você sente raiva e guarda mágoas, você se sente mal e prejudica a si mesmo.
Em pesquisas na Universidade de Harvard, cientistas descobriram que quando uma pessoa se encoleriza, forma-se toxina no sangue, causando mal-estar. É como se envenenar.
Então, sem se dar conta disso, a pessoa se torna seu próprio inimigo, sendo má para si mesma. E, às vezes, ela se justifica dizendo que sentiu raiva porque o outro é ruim ou fez algo errado.
Quando diz algo desaforado ou fala mal dos outros, a própria pessoa fica emocionalmente perturbada. As vibrações negativas dos insultos ficarão gravadas em seu interior, pois as emoções negativas são como os piores inimigos.
Então, contemple isso: Por que se prejudicar se o outro errou? Por que guardar ressentimentos e acabar com a paz de sua mente?
Sentir raiva é humano, mas uma pessoa evoluída tem pouca raiva e não fica guardando essa raiva, remoendo com seus pensamentos.
Quando sentir raiva, deve esquecê-la rapidamente, porque quanto mais se lembrar dela, mais ela queimará seu coração, fazendo mal para sua saúde, trazendo também inquietude interior.
Não durma com raiva, nem conserve sua raiva para o dia seguinte. Procure limpar seu coração. Não fique relembrando o que aconteceu, o que o outro disse ou fez, pois ao fazer isso, você é que está fazendo mal a si mesmo. O outro pode nem estar sofrendo, mas você está se sentindo infeliz.
Como disse Swami Sivananda: “Ataques violentos de mau humor produzem danos sérios nas células do cérebro, espalham produtos químicos venenosos no sangue, causam depressão, suprimem a secreção dos sucos gástricos, a bílis e outros, nos canais digestivos, esgotam sua energia e vitalidade, provocam velhice prematura e encurtam a vida”.
Quando você se zanga, sua mente fica perturbada. Assim também, quando sua mente se perturba, seu corpo sente distúrbios e todo seu sistema nervoso se agita.
Na Bhagavad Gita, um livro sagrado do yoga, Krishna diz: “Oh! Arjuna, deixe de pensar em seus inimigos externos. Em vez disso, conquiste seus inimigos internos”.
Entenda que muitos conflitos entre pais e filhos, brigas conjugais, inimizades surgem do ego negativo, da teimosia, do egoísmo, das emoções negativas como ciúme e raiva.
Sorria mais, agradeça, não guarde mágoas, nem viva com raiva. Quando você tem atitudes como essas e busca o equilíbrio adquire mais saúde e mais alegria.
Pense em alguém como sendo um amigo e isso começa a se tornar realidade. Controle os venenos da mente pelo amor e pela razão. Seja bondoso com você mesmo.
Fique em paz!
Deus em mim saúda Deus em você!

por Emilce Shrividya Starling

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Por que as atitudes da pessoa amada irritam tanto você?!

É estranho e paradoxal: ao mesmo tempo que amamos muito uma pessoa, com o passar do tempo as suas atitudes passam a nos irritar e nos incomodar demais. Perdemos a paciência facilmente e passamos a tratá-la com grosserias, pouca compreensão e até uma certa raiva...

Com as pessoas estranhas ou colegas de trabalho parece não acontecer o mesmo! Costumamos ter mais cautela e medir mais as palavras na hora de expressarmos algum descontentamento. Mas com a pessoa amada, rasgamos o verbo, xingamos e até ofendemos. Por quê?

Carl Jung, um dos precursores da psicanálise, já defendia a idéia de que o casamento (ou qualquer relacionamento íntimo e constante) é o tipo de relação na qual mais rapidamente podemos enxergar nossos próprios defeitos. Ou seja, a convivência com a pessoa amada é uma relação tão íntima, tão profunda e tão reveladora que, aos poucos, esta pessoa passa a “apontar” - consciente ou inconscientemente - nossos piores defeitos, nossas maiores limitações. E, convenhamos: isso é realmente irritante!

Mas, por outro lado, é também uma ótima e eficiente oportunidade de descobrirmos e admitirmos nossos erros para que possamos melhorar, crescer e nos transformar em pessoas melhores, mais inteiras e maduras. Além disso, se pararmos para analisar, poderíamos nos perguntar por que determinadas atitudes de nosso parceiro passam a ser tão “imperdoável” aos nossos olhos! Por que nos sentimos tão agredidos, ofendidos e desrespeitados por esta pessoa que, teoricamente, seria a que mais deveria nos agradar?

Será que, na verdade, o que nos irrita não é o fato de descobrirmos em nós mesmos esta falta de compreensão, de humor, de disposição, paciência e colaboração? Será que as cobranças da pessoa amada não recaem exatamente sobre nossas limitações, nos mostrando o quanto precisamos melhorar em algum ponto que tentamos ignorar a vida inteira?

É bem provável que seja justamente esta pessoa (para quem entregamos nosso coração, revelamos nossos segredos e confessamos nossos medos), a dona de uma cópia do mapa de nossos caminhos mais escuros, mais feios e mais desinteressantes... E, portanto, seja ela que esteja o tempo todo nos mostrando e nos lembrando sobre as características de nossa personalidade que mais tentamos esquecer ou mascarar. E, assim, inconformados com este “poder” que nós mesmos demos a ela, passamos a sentir raiva de suas atitudes e até dela mesma.

Mas, se conseguirmos enxergar estas situações irritantes como uma oportunidade de crescimento, talvez pudéssemos ser mais pacientes com a pessoa amada e “usá-la” como uma amiga, uma aliada, uma parceira no difícil e doloroso caminho da vida. E mais: também começaríamos a ser mais cautelosos e solidários para com esta pessoa quando fosse a nossa vez de criticá-la, de cobrá-la, de apontar os seus erros e espezinhar sobre suas limitações.
Sim! Porque não é somente o nosso parceiro que faz isso conosco. Nós também fazemos isso com a pessoa que, por sua vez, está contando com o nosso amor, a nossa amizade, um abraço, um conforto, qualquer forma de acolhimento...

Enfim, devemos saber – e nos lembrar sempre – de que o amor é um sentimento maravilhoso e que pode transformar a nossa vida numa grande alegria. Mas é também um grande mestre! Quando constituímos um relacionamento em nome do amor, devemos estar preparados para o crescimento que ele exige de cada um de nós! Se encararmos as dificuldades como empecilhos ou obstáculos, certamente este amor ruirá. Mas, se soubermos enxergar as situações difíceis como preciosas oportunidades de aprendizado, estou certa de que o amor só tende a se fortalecer.
Para isso, no entanto, precisamos ser humildes o bastante para aprendermos com a pessoa que amamos, para reconhecermos nela um ser humano com qualidades diferentes das nossas, com uma sabedoria particular, que pode acrescentar muitas lições à nossa vida. E assim, dispostos a reconhecer nossos defeitos e a ter compaixão pelo outro, poderemos transformar a nossa relação de amor numa maravilhosa oportunidade de evolução!
Rosana Braga

Rosana Braga é Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante
e Autora dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro"
e "Amor - sem regras para viver", entre outros.
www.rosanabraga.com.br
Email: rosanabraga@rosanabraga.com.br

sábado, 26 de abril de 2008

NO CAMINHO COM SUA BAGAGEM...

"Quando sua vida começa, você tem apenas uma mala pequenina de mão... A medida em que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando porque existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho, por pensar que são importantes.

A um determinado ponto do caminho começa a ficar insuportável carregar
tantas coisas, pesa demais, então você pode escolher: ficar sentado a beira do caminho, esperando que alguém o ajude, o que é difícil, pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem.

Você pode ficar a vida inteira esperando, ou você pode aliviar o peso,
esvaziando a mala.

Mas, o que tirar ? Você começa tirando tudo para fora... veja o que
tem dentro: Amor, Amizade...nossa ! Tem bastante, curioso, não pesa nada...

Tem algo pesado.... você faz força para tirar.... era a Raiva - como
ela pesa !

Aí você começa a tirar, tirar e aparecem a Incompreensão, Medo,
Pessimismo.. . nesse momento, o Desânimo quase te puxa pra dentro da mala .... Mas você puxa-o para fora com toda a força, e no fundo da mala aparece um Sorriso, que estava sufocado no fundo da sua bagagem.... Pula para fora outro sorriso e mais outro, e aí sai a Felicidade.. . Aí você coloca as mãos dentro da mala de novo tira pra fora um monte de Tristeza...

Agora, você vai ter que procurar a Paciência dentro da mala, pois vai
precisar bastante....

Procure então o resto: a Força, Esperança, Coragem, Entusiasmo,
Equilíbrio, Responsabilidade, Tolerância e o Bom e Velho Humor. Tire a Preocupação também. Deixe de lado, depois você pensa o que fazer com ela...

Bem, sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo. Mas, pense bem

o que vai colocar dentro da mala de novo, hein.

Agora é com você. E não se esqueça de fazer essa arrumação mais vezes,
pois o caminho é MUITO, MUITO LONGO, e sua bagagem, poderá pesar novamente."

terça-feira, 22 de abril de 2008

POR QUE NÂO QUEBRAMOS O NOSSO SCRIPT?

Conheço algumas pessoas que nunca na vida andaram de ônibus. Uma delas me confessou que nunca viajou de avião que não tenha sido na primeira classe. Hotéis? Sempre, sempre os de cinco, ou mais, estrelas. Muitas dessas pessoas em nenhum momento sentiram a falta de dinheiro e nem tiveram a preocupação de atrasar contas, ou temer não ter dinheiro para comprar comida.

Conheço também pessoas que passaram toda a vida sem nunca ter experimentado o sentimento amoroso. Não amaram, não foram amadas, nem mesmo os prazeres e a efemeridade do sexo puderam provar. Assim como esses exemplos, muitos de nós navegam em raias unidirecionais, sem desviar, sem que haja em nenhum momento uma transgressão na rota férrea traçada por algum demiurgo perverso, dentro ou fora de nós mesmos. Alguns por toda vida, outros por um tempo, seguimos uma órbita própria monotonal, cruzando outras tantas órbitas mas sem nem mesmo as tocar.

Há muitos e muitos anos fui preso por minha militância no movimento estudantil. Depois de interrogatórios sempre sendo tratado com cordialidade e humanitarismo, fui transferido de uma prisão para outra. Dentro do camburão, ainda todo dolorido e apavorado pelo que tinha passado, encapuzado e algemado, tive o meu primeiro insight dos universos paralelos. Era um fim de semana típico do verão carioca. O camburão parou num sinal de trânsito. Ao nosso lado um carro de passeio com uma família em direção à praia. As crianças brigavam disputando de quem seria a bóia, a mãe reclamava que precisava de um novo maiô, mas o clima era de festa, tipo vamos a la playa. Ali ao lado deles a menos de dois metros de distância estava outro ser humano, humilhado, imerso na profunda dupla escuridão, sem saber para onde iria e se um dia voltaria a ver o sol e a praia, sozinho, isolado e sua órbita prisional.

Claro que nesse caso específico eles não estavam me vendo, mas a visão também é muito relativa. Ver apenas, não significa enxergar o outro em seu universo, muito menos significa partilhar universos. Às vezes fico imaginando esses meus amigos que nunca viajaram de ônibus, como enxergam seus funcionários quando estes dizem que o ônibus atrasou, ou que estava superlotado, ou ainda que demorou duas horas até chegar no seu destino? Não enxergam. Acredito que para eles deve soar meio ficcional, distante como a lua: sabem da sua existência mas nunca irão lá, é real e ao mesmo tempo virtual.

Órbita pessoal

Muitas pessoas passam a vida presas a essa órbita pessoal e intransferível, sem chance de tocar ou trocar de roteiros. Ser prisioneiro de um universo monosignificativo, é como passar a vida tocando o samba de uma nota só, ou ver a realidade apenas em azul, ou em amarelo, ou em pink. São sempre as mesmas lamentações, as mesmas dores, as mesmas pessoas - nada muda, nem as alegrias são diversificadas, todas têm sempre o mesmo sabor. Ser prisioneiro de um universo que não penetra outros é como irmãos que casam com irmãos para manter a descendência em família. Degeneração, empobrecimento genético, psicológico, físico, etc.

Mas como fazer para mudar de órbita só para variar? O conselho de um antigo mestre ainda é perfeito e aplicável: mude uma peça da fileira de dominós, uma única peça. Pode ser um novo corte de cabelo, a mudança do estilo de vestir, a quebra (ainda que momentânea) da rotina diária, puxar conversa com o vizinho com quem nunca falou, pegar um ônibus e ir até alguma cidade onde jamais foi, passear sem rumo e depois voltar. Há muitas maneiras, mas todas extremamente difíceis de serem postas em prática, sempre haverá um “mas...”.

Muitos prisioneiros lamentam a sua sorte, o seu destino. Uns lamentam a bordo de seu carro importado, outros de dentro de seu quarto e sala. Mas raros são os que estão dispostos a mudar o corte de cabelo. Não há garantias de que se mudar algo no roteiro irá lhe trazer coisas muito boas. Você poderá ser assaltado nesse ônibus, poderá ser chamado de ridículo pelo seu namorado que irá odiar seu novo visual, o risco é inerente à quebra do script. Não mudar porém, permanecer fiel a essa órbita é perder irremediavelmente a miríade de possibilidades que a vida oferece.

por Roberto Goldkorn in “Outro Lado – Um outro jeito de enxergar o cotidiano”


segunda-feira, 21 de abril de 2008

A mão não alcança aquilo que o coração não almeja

Algumas vezes, tomamos decisões erradas - geralmente sem considerar quem somos - e acabamos caindo em um buraco do qual parece que jamais sairemos. Nos tornamos infelizes. Uma decisão errada leva até outra, que leva para outra e uma fileira de dominós acaba caindo sem parar. Vamos dormir e nos perguntamos: o que é que fiz da minha vida?

Há pessoas que, neste processo, se transformam em tubos: acordam, escovam os dentes, fazem o desjejum, trabalham, almoçam, trabalham voltam para casa, jantam, dormem e, em alguns pontos do dia, vão ao banheiro. No dia seguinte, repetem exatamente a mesma coisa. E no outro. E no outro. E no outro. Sem que haja uma luz no fim do túnel. São tubos, pelos quais passa comida.

Após uma palestra, um espectador veio dizer que sentia-se um zumbi, alguém que passa os dias apenas reagindo aos acontecimentos e pessoas, sem escolher nada do que acontecia: "Escolhi minha profissão porque tinha que agradar meu pai, me casei com alguém que mal conhecia porque estava sozinho, naquele momento, trabalho no que não gosto porque tenho que pagar as contas". E completou: "Pisquei os olhos e já passaram 30 anos, igual ao personagem do filme 'Click'." Tenho vários sonhos que ainda poderia realizar, mas será que eu devo?"

Na maioria das vezes, quando alguém pergunta isso, é porque já sabe a resposta.

Há momentos nos quais os dias parecem se repetir, na vida de todos nós, e tudo parece igual. Mas isso pode ser um bom sinal. Afinal, quando estamos na estrada, indo de uma cidade para outra, há momentos em que o ponto da estrada no qual estamos é exatamente igual o ponto que passamos quinze quilômetros antes. Isso não é um problema, já que sabemos para onde vamos. Sabemos que a estrada é o caminho para a outra cidade. A viagem pode até ser desconfortável, cansativa, longa e monótona - mas sabemos aonde queremos chegar.

Por isso, se o ponto da vida no qual estamos agora é um caminho para nos levar aonde desejamos chegar, não se preocupe com essa aparente repetição do nada. É apenas uma percepção parcial da realidade, mas dentro de algum tempo você chegará onde deseja. Continue avançando e prenda-se à realidade dos resultados, mesmo que apenas em sua mente, pois eles chegarão. Neste caso, a repetição, o hábito e a aparente monotonia são apenas a estrada que levará você até a cidade desejada. Continue firme. Cada metro que você avança será um metro a menos até seu sonho.

Por outro lado, se o ponto da vida no qual você está foi causado por uma decisão claramente equivocada, e os dias estão se repetindo como um castigo aparentemente sem razão, é hora de mudar. É o momento de balançar a árvore da sua vida, para ver o que cai, como fazíamos quando crianças e queríamos apanhar frutas. Comece mudando por dentro, imediatamente. Mude o que você escolhe ver, ler, ouvir, as pessoas com as quais escolhe estar, aquilo que você diz e o que você aprende.

Talvez não seja fácil. Sua mãe, pai, cônjuge, filhos, amigos e colegas podem reagir tentando bloquear suas mudanças, geralmente com a melhor das intenções. Mas a mão não alcança aquilo que o coração não almeja, portanto é melhor escutar seu coração para a tomada de decisões. Sempre unindo a razão e a ação contínua, claro, porque pensar apenas com o coração não é a chave. A chave é usar a razão, a emoção e a ação em tudo o que você deseja. E estes três lados devem estar alinhados, com o mesmo objetivo.

Se você estiver indo para a direção desejada, com a pessoa desejada, agindo todos os dias, a repetição não será um problema - será apenas um ponto da estrada que levará você do lugar onde está agora para a vida que deseja viver.

Pense em um tempo no qual as coisas tinham tudo para serem perfeitas. Tente voltar a este tempo, como um motorista volta para a estrada certa, após ter escolhido o caminho errado.

E volte para o caminho certo. Sua vida merece isso.

by Aldo Novak

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